Na era da digitalização acelerada, o setor financeiro enfrenta desafios cada vez mais sofisticados e complexos. Um ataque cibernético bem-sucedido pode comprometer informações sensíveis, gerar prejuízos enormes e abalar a confiança de clientes e investidores. Por isso, entender o cenário atual e adotar práticas robustas de defesa é fundamental para preservar seu patrimônio e manter a reputação da instituição.
O panorama atual dos ataques cibernéticos financeiros
Relatórios recentes apontam que o setor financeiro concentra uma parcela significativa dos incidentes de segurança na América Latina e no Brasil. Em 2025, mais de 20% dos casos registrados no país tiveram como alvo bancos, fintechs e seguradoras, colocando esse segmento no topo do ranking de setores vulneráveis.
- 20,18% dos incidentes de cibersegurança no Brasil em 2025 afetaram o setor financeiro;
- Instituições brasileiras sofreram cerca de 1.752 ataques por semana entre setembro de 2024 e fevereiro de 2025;
- O custo médio de violação de dados na América Latina atingiu 2,46 milhões de dólares;
- Globalmente, o valor médio subiu para 4,45 milhões de dólares por incidente.
Esses números evidenciam um crescimento constante das ameaças e reforçam a necessidade de estratégias integradas de defesa que envolvam tecnologia, processos e pessoas.
A exposição ampliada pela digitalização
A adoção de serviços como internet banking, aplicativos móveis, carteiras digitais, Pix, open banking e open finance trouxe agilidade e conveniência aos usuários. No entanto, essa revolução também expandiu a superfície de ataque, criando múltiplos pontos de entrada para cibercriminosos.
Em muitos casos, a combinação de integração de sistemas legados e modernos gera falhas de configuração em ambientes em nuvem e APIs, facilitando invasões. Além disso, a diversidade de plataformas e a falta de padronização na região aumentam o risco de ataques bem-sucedidos.
Golpes contra usuários finais
Entre os métodos mais comuns de fraudes voltadas a clientes e pequenas empresas, destacam-se:
- Clonagem ou troca de cartão de crédito – responsável por cerca de 40% dos casos;
- Falsos contatos de “familiar ou amigo” em aplicativos de mensagens – quase 30% dos relatos;
- Falsa central de atendimento solicitando dados sensíveis – em torno de 25% das ocorrências;
- Golpe do Pix, explorando urgência e rapidez das transferências instantâneas – cerca de 15%.
Esses golpes se aproveitam de fragilidades humanas, como confiança excessiva e senso de urgência. A disseminação de vazamentos de dados pessoais intensifica o problema, tornando imprescindível a adoção de práticas de proteção individual e a educação digital contínua.
Principais ataques técnicos e medidas de prevenção
Do ponto de vista técnico, as ameaças mais recorrentes nas instituições financeiras incluem injeções SQL, cross-site scripting (XSS), credential stuffing, ransomware e phishing direcionado a colaboradores.
Além disso, ataques de força bruta e credential stuffing exploram credenciais vazadas em incidents anteriores. Para combater essas táticas, é fundamental implementar autenticação multifator em todas as contas e monitorar padrões atípicos de acesso.
Impacto econômico e reputacional
Os prejuízos diretos por fraudes e violações de dados são elevados, mas o efeito reputacional e financeiro pode ser ainda mais devastador. Perda de confiança de clientes, sanções regulatórias e custos com resposta a incidentes somam valores que frequentemente ultrapassam milhões de dólares.
Em cenários sistêmicos, ataques cibernéticos a instituições financeiras podem comprometer a estabilidade econômica de um país, reduzindo o apetite de investidores e afetando o mercado de crédito.
Regulação e conformidade: o caminho para a resiliência
Para mitigar riscos, instituições financeiras devem seguir normas de segurança emitidas por bancos centrais e reguladores locais, bem como padrões internacionais como PCI DSS e requisitos inspirados no GDPR. Ainda assim, lacunas regulatórias e de governança e a falta de políticas uniformes de notificação de incidentes dificultam a resposta coordenada em larga escala.
Recomenda-se a realização de testes de penetração, simulações de ataque (red teaming) e testes de resiliência periódicos para garantir que as defesas estejam sempre atualizadas.
Práticas essenciais para proteger seu dinheiro e seus dados
- Ativar autenticação multifator em todas as contas;
- Manter sistemas e aplicativos sempre atualizados;
- Realizar backups regulares e armazená-los em locais isolados;
- Educar equipes e clientes sobre engenharia social;
- Monitorar transações suspeitas com alertas em tempo real.
A combinação dessas medidas forma uma base sólida de defesa e reduz drasticamente a superfície de ataque disponível aos criminosos.
Conclusão: comprometimento contínuo
A segurança cibernética financeira não é uma meta estática, mas um processo contínuo de aprimoramento e adaptação. Instituições, profissionais de TI e usuários finais devem permanecer vigilantes, alinhando tecnologia, políticas internas e treinamento constante para enfrentar ameaças cada vez mais sofisticadas.
Ao investir em soluções avançadas e fortalecer a cultura de segurança, você não apenas protege seu patrimônio, mas também contribui para um ambiente financeiro mais seguro e confiável para todos.